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28 Maio 2018 | Vista 2771 vezes |

CURSO DE LIDERANÇA E DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS


O IPP realizará, de 11 a 23 de Junho, na cidade da Praia, a II edição do Curso de Liderança e Desenvolvimento de Negócios. Fomos conversar com Victor Borges, ex-Ministro da Educação e das Relações Exteriores de Cabo Verde e Coordenador Pedagógico dos cursos de liderança do IPP há 5 anos, para sabermos mais sobre esta formação.

Qual é o público alvo preferencial para o Curso de Liderança e Desenvolvimento de Negócios?

Este curso é destinado, fundamentalmente, a operadores económicos, quadros das empresas e jovens empresários com ambição de melhorar o seu desempenho pessoal e a produtividade de sua unidade empresarial; quadros e dirigentes de organizações representativas do sector privado (Associações e Câmaras de comércio, indústrias, serviços e turismo); quadros e dirigentes de estruturas públicas com responsabilidades na formulação de políticas, gestão, apoio e promoção do sector privado; técnicos e dirigentes autárquicos com responsabilidades de promoção e gestão do desenvolvimento económico local; técnicos e dirigentes de projectos de promoção do empreendedorismo e da actividade económica na base, incluindo de apoio ao sector informal, e, eventualmente, jovens com experiência fracassada ou projectos viáveis de criação de negócios.

A criação e/ou desenvolvimento de negócios não é uma solução aplicável, de forma generalizada, a todos, como se fosse a panaceia para a resolução dos intricados problemas de desemprego deste país. Queremos focar-nos em gente motivada, com experiência de negócios e/ou projectos viáveis. Neste sentido, filhos de empresários com a ambição de renovar e expandir o negócio familiar seriam também participantes interessantes.

Porque é que potenciais interessados devem se inscrever neste curso do IPP?

Independentemente do conhecimento, da experiência e de competências técnicas e gerenciais ligadas a um negócio específico, a criação e/ou desenvolvimento de negócios requer, cada dia mais, competências a nível pessoal, relacional, social e de liderança, sem as quais será difícil interagir de forma produtiva e duradoura com clientes, fornecedores, colaboradores, parceiros, outros empresários e estruturas públicas que regulam, prestam serviços, incentivam e tributam a actividade económica.

A afirmação do sector privado como actor social e do desenvolvimento económico requer, igualmente, organizações representativas fortes e com capacidade de interpretar as necessidades dos operadores, desenvolver programas de apoio e de negociar com as autoridades públicas. O cumprimento desta missão requer, ainda, conhecimentos e competências a nível pessoal, relacional, social e de liderança.

Um dos entraves à promoção do sector privado e ao apoio às iniciativas empresariais por parte das instituições públicas em Cabo Verde resulta do desencontro entre a lógica e o tempo técnico-burocráticos dos agentes públicos e até de organizações representativas, e a lógica e o tempo das empresas. Muitas vezes, o técnico que é suposto apoiar desconhece verdadeiramente a lógica de funcionamento das empresas. Para ultrapassar este desencontro estéril é preciso que o agente público se impregne da lógica empresarial e, sobretudo, desenvolva competências pessoais, relacionais, sociais e de liderança para uma interacção e assistência fecundas.

O que esta formação tem de diferente das outras?

Não conhecendo todas as outras ofertas formativas, sublinho alguns aspectos marcantes da nossa abordagem. Em primeiro lugar, a metodologia que privilegia a reflexão individual, o trabalho de equipa, simulações, o estudo de casos (ficcionais, vividos ou observados, bem-sucedidos ou fracassados), para deles retirar ensinamentos práticos. A informação e o conhecimento teórico aparecem para completar ou aprofundar reflexões individuais e de grupo.

A nossa filosofia distancia-se da abordagem mais ou menos romantizada do empreendedorismo, que acaba sendo percepcionado como solução mágica e fácil para todos os indivíduos que enfrentam desafios de inserção socioeconómica.

Para os agentes públicos com responsabilidades de apoio à criação ou desenvolvimento empresarial, a formação constitui uma oportunidade de auto-avaliação das práticas pessoais e institucionais que a História de Cabo Verde prova como sendo pouco eficazes ou nitidamente ineficazes. As competências despertadas ou reforçadas poderão ser úteis para eventuais iniciativas de mudança no funcionamento das organizações de promoção do empreendedorismo e de apoio ao sector privado.

Em resumo, e assim como para o desenvolvimento global do país, a afirmação do sector privado cabo-verdiano como actor económico central requer um esforço permanente e consistente de reforço de capacidades.

“A construção de uma cultura organizacional que promova a aprendizagem (e a eficácia) requer muito mais do que a simples mudança de políticas e de legislação (e de pessoas). Deve incluir a motivação de equipas, a capacitação de líderes e agentes de mudança …….que possam inspirar e impulsionar esforços para a melhoria de resultados”. In Evaluating Development Activities, 12 lessons from OECD, DAC, Paris, 2013.

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